ENTRE A MODA E O RISCO

SUPLEMENTOS ALIMENTARES NOS JOVENS DESPORTISTAS

Cada vez mais adolescentes praticam desporto com regularidade — o que é, em si, uma excelente notícia. Ginásios, clubes, modalidades escolares e até treinos informais com amigos fazem parte do dia a dia de muitos jovens. Paralelamente, cresce também o consumo de suplementos alimentares: pós de proteína, creatina, “pré-treinos”, queimadores de gordura, barras e comprimidos que prometem mais energia, mais músculo e melhores resultados. Mas será que estes produtos são mesmo necessários? E, sobretudo, são seguros?

Antes de mais, é importante lembrar que a maior parte dos suplementos alimentares não é considerada medicamento. Isso significa que não passam pelo mesmo nível de controlo, estudos clínicos e supervisão que um fármaco. Muitos podem ser vendidos livremente em ginásios, lojas online ou superfícies comerciais, o que facilita o acesso dos mais novos sem qualquer orientação profissional.

Nos jovens, o organismo ainda está em crescimento e desenvolvimento. Qualquer substância ingerida em excesso — mesmo aquelas que parecem “inofensivas”, como vitaminas, proteínas ou cafeína — pode ter consequências. Entre os riscos mais frequentes estão problemas gastrointestinais, alterações do sono, aumento da pressão arterial, palpitações, dores de cabeça e, em casos mais graves, danos no fígado ou nos rins. Há ainda o perigo de contaminação com substâncias não declaradas, incluindo estimulantes proibidos em contexto desportivo.

É aqui que a figura do nutricionista ganha particular importância. Só um profissional de saúde com formação na área consegue avaliar de forma rigorosa as necessidades de cada jovem: tipo de modalidade, frequência e intensidade do treino, idade, estado de saúde, objetivos (melhorar performance, ganhar massa muscular, controlar peso) e padrão alimentar diário. Muitas vezes, aquilo que se tenta compensar com um suplemento pode ser resolvido com simples ajustes na alimentação.

Uma dieta variada e equilibrada é, quase sempre, suficiente para garantir a energia e os nutrientes de que um adolescente ativo necessita. Refeições com base em alimentos frescos — fruta, legumes, cereais integrais, leguminosas, carne, peixe, ovos, leite e derivados — fornecem proteínas de qualidade, hidratos de carbono, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais. Acrescente-se uma boa hidratação, sono adequado e gestão do stress, e estão reunidas as condições para um desempenho físico de excelência, sem necessidade de recorrer a “atalhos”.

Isto não significa que todos os suplementos sejam, automaticamente, desaconselhados. Em situações específicas, e sempre sob orientação de um nutricionista ou médico, podem ser úteis: por exemplo, quando há défices nutricionais comprovados, restrições alimentares importantes ou modalidades de alta exigência, em que é difícil, na prática, atingir todas as necessidades apenas com a alimentação. Mas a decisão deve ser sempre individualizada, informada e acompanhada.

Pais, treinadores e professores têm aqui um papel central. Devem estar atentos a sinais de pressão excessiva sobre o corpo e a imagem, conversar abertamente sobre o tema e desencorajar o consumo de produtos comprados “por recomendação de amigos” ou influenciadores nas redes sociais. É fundamental transmitir a mensagem de que um corpo saudável e forte não se constrói com comprimidos ou pós, mas com consistência: treino adequado, descanso, boa alimentação e equilíbrio psicológico.

Em vez de procurar resultados rápidos numa prateleira, os jovens desportistas ganham muito mais ao investir em hábitos saudáveis que os acompanharão toda a vida. O suplemento mais poderoso continua a ser aquele que não se vende em lado nenhum: informação de qualidade e escolhas conscientes.


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